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quinta-feira, 9 de abril de 2020

A Guerra inútil

A 1ª guerra mundial foi chamada de a guerra que acabaria com todas outras guerras. Mas muito pelo contrário, esta foi a grande responsável por uma das guerras mais brutais, a 2ª guerra mundial. Pode-se ligar as duas guerras pelos mesmos propósitos, mas vestidos de nomes diferentes.
A 1ª guerra foi motivada pelos propósitos imperialistas de dominar territórios, manter colônias para desenvolver a corrida capitalista da industria. Esta guerra proclamava o nacionalismo como bandeira para unir a Prússia e Áustria no PANGERMANISMO. A 1ª guerra veio do período da paz armada, quando as nações envolvidas, Prússia (Alemanha), Itália, Áustria, Russia, França e Inglaterra se militarizaram, desenvolveram tecnologias um possível conflito. Esses países estavam ligados por alianças, A Tríplice e a Entente, afinal, uma nação não entraria sozinha em uma guerra para dominar o mundo.
Esses elementos da Grande Guerra continuaram até os primórdios da 2ª guerra. As nações derrotadas, Itália e Alemanha se ergueram com nacionalismo chamado agora de fascismo e Nazismo, e esses movimentos eram extremamente militaristas, e mantiveram a ideia de formar alianças.
A guerra que deveria terminar com todas as guerras, na verdade, deu as pegadas para uma guerra muito mais cruel, por exemplo, o nazismo na Alemanha que desejava se vingar das humilhações impostas no fim da guerra, o tratado de Versalhes, buscou e inventou culpados, os judeus, os comunistas e todos que representassem alguma ameaça ao nacionalismo (o Nazismo) para justificar a derrota. E nessa justificativa ocorreu o Holocausto, a grande chacina dos judeus, poloneses, russos, franceses, ciganos e comunistas.
Com o tal propósito de terminar todas as guerras, a 1ª guerra foi totalmente inútil. O espírito imperialista de possuir colônias para extrair matéria prima para industria continuou, pois Hitler defendia a ocupação de territórios que a Alemanha perdeu com o Tratado de Versalhes, defendendo a ideia de "espaço vital", e anexando a Áustria, ocupando os Sudetos, invadindo a Polônia e a Alsácia.
O militarismo, que na Grande Guerra foi chamado de "paz armada", continuou e arrebatou quase toda Alemanha. Hitler convocava jovens (a Juventude Hitlerista) que inspirados pela mensagem triunfalista e patriótica, o tal 3º Reich de 1000 anos (o grande império dos povos germânicos), além das expectativas de uma carreira militar, a defesa da pátria do povo alemão criou uma fidelidade dos jovens aos desejos lunáticos de seu Füher.
A ideologia do nacionalismo na 1ª guerra continuou também. Agora essa ideologia era promovida pelo Partido Nacional Socialista e combatia toda ideologia e arte internacional, capitalismo, comunismo, literaturas, filmes e quaisquer influências que não se enquadrassem naquilo que o Hitler entendesse como cultura ariana eram excluídas da nação.
Esses elementos destacados acima entraram como herança da 1ª guerra para a outra Guerra. Uma guerra para acabar todas as outras, virou a guerra para eclodir a maior de todas as guerras. Da 1ª guerra, uma Alemanha surge das cinzas e cheia de ódio. Uma Alemanha cega pela humilhação de Versalhes inventava inimigos em sua própria terra, os judeus.
A guerra foi inútil, pois além de não acabar com todas as guerras, acabou mal acabada. Praticamente todos problemas da Grande Guerra de 1914, estavam de volta com força na 2ª Guerra. Foi inútil porque despertou o espírito da estupidez, a cegueira de matar seus compatriotas, violentar e torturar as pessoas sem um único remorso, sem uma autocrítica. A guerra inútil criou pessoas enlouquecidas, motivadas por um homem fracassado, um político que era frustrado em seus projetos, essas pessoas que iradas trataram as minorias como descartáveis, os alemães concordavam com os guetos judeus, com os campos de trabalho (extermínio). 

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Ascensão do totalitarismo

Após a 1ª Guerra, em 1918, o mundo experimentou um movimento democrático, sobretudo na Europa, mas que teve seus ideais irradiados para o mundo. Repúblicas, democracias, sufrágio mais justo, direitos das mulheres.
Nas Artes, o Modernismo explodia, em 1922 no Brasil ocorreu a Semana de Arte Moderna com um apelo nacionalista e inovador. Na Europa, o cubismo, dadaísmo, futurismo e outros também.
Quanto à economia, o liberalismo ganhava força, sobretudo com a liderança dos EUA que, após a Grande Guerra, se tornava o grande credor do mundo. Mas isso foi só por quase uma década, pois em 1929 com a Queda das ações da Bolsa de N.Y. o liberalismo econômico, que pregava que o capitalismo se auto regularia (como uma "mão invisível"), sem a intervenção do Estado, este modelo perde força para o Keynesianismo (doutrina econômica que afirmava a importância do Estado em combater os excessos dos capitalistas que sem regulação provocaram a grande crise de 1929).

Esse novo modo de política, arte e economia provocou, sobretudo na Itália e na Alemanha (países derrotados na Guerra Mundial) um movimento de defesa nacional. Na Itália o Fascismo, na Alemanha o Nazismo. Esses movimentos eram defensores de tradições nacionais, diziam que essas (duas) nações deveriam lutar por voltar aos seus triunfos do passado. Além de se auto afirmarem defensores do modo de vida nacional, combatiam o capitalismo liberal e o comunismo internacional. Queriam um estado soberano que estivesse presente na vida das pessoas.
Esses movimentos criticavam os movimentos internacionais citados acima e defendiam que o Estado traria ordem.
O Fascismo e o Nazismo se fiavam na classe média, além dos grandes proprietários de terra e na burguesia nacional. Com a ascensão de Mussolini (na Itália) e depois Hitler (na Alemanha), o Estado criou leis de proteção aos empregos, e sobretudo, ambiente favorável ao desenvolvimento de grandes empresários de suas pátrias.
Na contra-mão da democracia, o fascismo e o nazismo (assim como o socialismo soviético de Stalin) defendiam que um regime totalitário (ou seja, ditaduras) seria a maneira viável de resolver problemas como inflação, balbúrdia (os movimentos artísticos eram criticados, o movimento feminista colocava a mulher fora do papel de mãe e mulher recatada do lar, além das liberdades individuais que eram criticadas por aqueles que defendiam os valores da família tradicional).
Os regimes totalitários, quando chegaram ao poder (1922 na Itália, 1933 na Alemanha), para se manter, precisavam guiar suas nações dentro de suas doutrinas. Mas nem todos aceitaram esse controle, sobretudo os adeptos da vida liberal, membros dos partidos comunistas, minorias de estrangeiros; daí, o uso de recursos como a propaganda, para a criação de um inimigo (o liberal, o comunista, o estrangeiro). Contava-se à população sobre ter medo e ódio de tudo que combate a Pátria (Estado) e aqui colocamos esses grupos opositores. Não ler textos que se enquadravam no perfil do inimigo, não ouvir música, não valorizar artes etc. Se opor ao Regime do Estado era ser um inimigo da nação.
O caso que teve maior repercussão foi o anti-semitismo do nazismo, embora tenha existido xenofobia contra poloneses, ciganos, franceses, russos, chineses (no caso do Japão imperial), contra maçons, algumas seitas evangélicas, marxistas, ateus, ou seja, como já foi dito, tudo que se enquadrasse no perfil do inimigo.
Assim, era inevitável que esse totalitarismo não provocasse uma guerra, com veio a acontecer, pois a manutenção da ideologia fascista e nazista se fazia valer do orgulho nacional, e uma guerra contra quem quer que fosse, seria um mote para internalizar no povo o sacrifício em prol do Estado.